
Claro
que não vou especificar aqui todas as razões que tenho para ser contra
um dia consagrado à mulher, já que corria o risco de ser
mal-interpretado e, desde já, arriscar-me a passar a noite no sofá. Porque isto do sexo oposto tem muito que se lhe diga. Oposto,
não fraco, já que se fossem os homens a engravidar e a terem de
aguentar com a menstruação, há muito que a espécie humana estava
extinta. Mais a sério, esta minha tomada de posição - que não é sinónimo
de inveja, só porque as mulheres têm um dia para elas - já me valeu ser
censurado num outro blogue, por exprimir a minha opinião. Será que as
mulheres, que todos os dias "gritam" bem alto pela igualdade de
direitos, não se aperceberam ainda da desigualdade que é terem um dia a
elas dedicado? É, para mim, como se tivesse de haver uma ocasião
especial para nos lembrarmos delas, como o Natal, os pais ou os avós.
Nós, homens, não temos essas "frescuras". Todos os dias são Dia do
Homem. Aliás, o Dia da Mulher tem um conotativo machista, como se a elas
fosse concedida tão especial graça. Sim, vamos dar-vos um dia, pois
então! Nesse dia poderão descansar que nós, homens, trataremos de tudo.
Sim, um dia num ano, nada mais justo. Não terá sido certamente assim,
mas bem poderia este dia ter sido gerado da cabeça de um homem, no
intuito de, desconsiderando a condição feminina, subestimando a sua
capacidade intelectual e desprezando os seus direitos de igualdade
receber uma noite inesquecível somente em troca de um ramo de flores e
um jantar à luz das velas. Mulheres, vocês valorizam-se tão pouco? E a
partir da meia noite? Sim, é o regresso às panelas, às fraldas dos
filhos, ao balde e à esfregona, em troca de quê? Suspirando para que o
tempo passe mais depressa? Porque nos outros 364 dias, muitos desses
homens que hoje se mostraram delicados, perfeitos cavalheiros, não vos
trarão flores, não vos levarão a jantar fora. Porque para muitas das
mulheres, esses dias, semanas, meses que faltam até ao próximo ano,
apenas servirão para fazerem parte da estatística das mulheres vítimas
de violência e de maus tratos familiares, que infelizmente ainda abundam
neste país dito democrático e emancipado. Para mim, que respeito as
mulheres, os velhos e as crianças, como seres humanos que são, o Dia da
Mulher são todos os dias, não apenas um. E qualquer dia, qualquer
motivo é bom para oferecer um agrado, um presente, um jantar mais
especial. Será isso errado ou censurável?
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