terça-feira, 9 de julho de 2019

COM ÁGUA NA BOCA E A PULGA ATRÁS DA ORELHA

Estou rendido! Há quem goste da Guerra dos Tronos, não sei! Eu sou mais A Casa de Papel. Há gostos. Cheguei ao final da segunda temporada e fiquei com aquela sensação agridoce, um misto de êxtase mas também de tristeza como quando vemos algo perfeito e sabemos que não mais se repetirá. Foi essa a sensação, do tipo: é isso mesmo, pára! Está bom, não mexe mais! Sabia que daí em diante, a história do Professor, Tóquio, Berlim, Raquel Murillo e restante elenco iria ficar na minha memória como a melhor série que vi. Quem dera pudesse ter durado mais aquele brilhante assalto... Mas heis que já anunciaram a terceira temporada com início no próximo dia 19 com bastantes novidades. Depois do que vi, uma nova temporada, por mais empolgante que possa parecer a ideia - e a expectativa já é enorme - os ventos da desconfiança começam a fazer-se sentir por estes lados. Vai ser preciso esmerarem-se muito para igualar ou superar o que já foi feito. Afinal, - como soi dizer-se - que se pode oferecer a quem já tem tudo?

domingo, 7 de julho de 2019

CINEMA PARAÍSO - A MINHA GRETA

Greta Hideg é uma senhora de idade, solitária e de instintos maternais, a quem uma jovem procura para devolver a sua bolsa perdida no metro. Entre elas cria-se desde logo um vínculo tão forte quanto difícil de terminar neste novo thriller de suspense de Neil Jordan (o mesmo de Entrevista Com o Vampiro ou Jogo de Lágrimas), com Chloe Grace Moretz e Isabelle Huppert nos principais papéis, num jogo de aparências que não desilude os fãs do género.
Já Aristóteles dizia que a arte imita a vida, numa altura em que ainda não havia sido inventado o cinema. Nada mais certo. Também eu tenho a minha Greta, uma ternurenta senhora de idade, aparentemente desprotegida, afável e carente que se aproximou nestes últimos meses da minha esposa, tocando-nos ao coração. Conquistou-nos - confesso - quase sem nos apercebermos, e quando demos por isso já era tarde, tinha monopolizado quase todo o nosso tempo tanto ao telefone como presencialmente, começando a perder a subtileza e a deixar vincada a ideia de que a minha presença estava a mais, quer por conversas privadas com a minha esposa de que não queria que eu tivesse conhecimento, como fazendo comentários desagradáveis sobre as nossas alianças e casamento; destilando veneno sobre todos sem poupar familiares e "amigos", juntando a esse cocktail de más intenções uns pozinhos de cenas espíritas e afins numa personalidade doentia e que visavam sobretudo afastar-me da pessoa que amo de forma a "adoptá-la" como sua cuidadora e mais ainda, como a filha que nunca tivera, querendo possuí-la, dominá-la nas suas acções e pensamentos. E de repente a minha Greta virou uma espécie de Glen Close em Atração Fatal, provocando frissons de paragem cardíaca a cada toque de telemóvel ou batida na porta similares a uma cena de suspense num filme de terror e uma vontade incomensurável de soltar o grito de Ipiranga e mandar a pessoa dar uma volta ao bilhar grande. Doravante não me comoverei com a primeira velhinha inofensiva que me aparecer à frente. Get a Life, bitch!

domingo, 16 de junho de 2019

CINEMA PARAÍSO - Dicas

 O cinema francês continua a revelar-se para mim uma grande surpresa, especialmente desde 2000/2010, mais comercial, mais próximo do público, com Un Bonheur Jamais Arrive Seul (A felicidade nunca vem só) a ser disso um excelente exemplo. Realizado em 2012 por James Huth e vivendo muito da química entre Sophie Marceau - uma das melhores e mais bonitas actrizes francesas - e Gad Elmaleh, igual a si próprio, este filme conta a história de um homem para quem a ideia de uma relação se resume a uma noite com jovens mulheres, sem compromissos e especialmente sem crianças. Isto até conhecer a ex-mulher de um poderoso cliente que fará com que a sua vida simples vire de pernas para o ar e mude as suas convicções.

Jamie Lee Curtis volta a encontrar Michael Myers no mais recente Halloween, realizado em 2018 por David Gordon Green, 16 anos depois da sua última aparição neste clássico do cinema de terror. Mais do mesmo, até para os fãs, de uma história que vem perdendo a emoção dos primeiros tempos. Vale pela saudade de vermos a filha de Tony Curtis e na minha opinião, apenas e só por isso, sem acrescentar nada aos outros filmes da saga.

Freeheld é um filme baseado numa história verídica sobre uma mulher diagnosticada com uma doença terminal, uma policial que mantém uma relação com uma mulher bastante mais jovem e que luta para que a sua parceira receba os benefícios da sua pensão após a sua morte, algo que os políticos de New Jersey, na altura não queriam aceitar. Julianne Moore prova que é uma das melhores actrizes da sua geração, um ano depois do soberbo Still Alice, bem coadjuvada por Ellen Page - a quem a personagem assente como uma luva pelas suas opções sexuais - e Steve Carell, em minha opinião um actor bastante melhor em papéis mais sérios como é este filme de Peter Sollett de 2015.

Fighting With My Family é um filme biográfico de 2019 sobre a vida de Saraya Knight, lutadora de wrestling conhecida por Paige, ainda hoje a mais nova campeã. Foi com bastantes reservas que me propus a assistir ao filme, especialmente por não apreciar este desporto. Em boa hora arrisquei, pois Florence Pugh, Jack Lowden, Vince Vaughn e Nick Frost são perfeitos nos seus papéis. O filme é realizado por Stephen Merchant e conta com a participação de Dwayne Johnson, o famoso The Rock.

 M. Night Shyamalan trouxe-nos este ano Glass, que recupera os personagens principais de O Protegido e Split. James McAvoy, Samuel L. Jackson e Bruce Willis seriam por si só sinónimo de um filme imperdível, mas que defraudou as minhas expectativas, a exemplo da maior parte dos filmes do realizador. Talvez seja implicância minha, mas nem sempre um grande actor (ou neste caso três) são capazes de salvar um filme. Uma questão de gostos... ou talvez não.





sábado, 15 de junho de 2019

PÉROLAS

"O mais importante do meu mundo... eles", dedicatória de Magali Aravena (mulher de Sálvio) aos filhos, em setembro de 2018 no Instagram.



sexta-feira, 14 de junho de 2019

POR QUE NO TE CALLAS?

"Se não querem que vos baixem as alças não sejam modelos! Juntem-se a um convento de freiras."

Karl Lagerfeld, sobre o assédio séxual

sábado, 8 de junho de 2019

A DIGNIDADE É UM GUARDA-CHUVA E OS BEIJOS ANDAM PELA HORA DA MORTE

um beijo teria evitado tudo
A dignidade é um guarda-chuva convenientemente esquecido no banco de trás do autocarro de cada vez que deixa de chover.  A água - diz a sabedoria popular -  só não lava a má língua.  Já o sol... o sol é quente e os corpos tendem a despojar-se de tudo, da roupa, das inibições e até da dignidade. E o Homem despido destes valores está para a sociedade moderna como o homem das cavernas, desaparecido ao tempo dos dinossauros, como lemos nos livros de História. Só que não é verdade. Acobertados no meio de uma multidão anónima, movendo-se em turbes mais ou menos numerosas, os resistentes, machos viris e preconceituosos continuam a tratar as mulheres como objectos concebidos para satisfazer as nossas necessidades mais básicas, enchendo o peito de um orgulho irracional a cada arroto depois de um gole de cerveja ou de um peido fora de horas, coisas simples e naturais para quem insiste em confundir o êxtase de um orgasmo com um golo da nossa equipa selando uma vitória ao minuto 92 da partida. Tudo cenas de gajos, para quem a única mudança nestes milhões de anos se traduziram apenas e só nas cavernas modernas que hoje habitam. Por estes dias alguns destes dignos exemplares dos nossos antepassados começaram por fazer comentários homofóbicos para um casal de lésbicas à entrada destas num autocarro, em Inglaterra. Verborreia inqualificável, grunhidos próprios de quem não possui o dom, quer da palavra como dos valores primários e essenciais para quem vive em sociedade. Como se não fosse suficiente, exigiram às duas que se beijassem, para estranho regozijo da canalha presente e à recusa das duas mulheres não lhes sobraram outros argumentos senão o de partirem para uma agressão continuada e cobarde. O que leva seja quem for a acreditar que pode usar os outros como animais de circo só por serem diferentes? Não melhores ou piores, apenas diferentes. O que nos leva a humilhar, a agredir física e psicológicamente outras pessoas? Que estranho prazer, sensação de poder absurdo nos dá tamanha vileza capaz de nos levar a cometer semelhantes actos, movidos por um ódio irracional despido de dignidade como de argumentos? Onde e em que momento do desenvolvimento da humanidade - um familiar, um amigo, na escola - nos incutiram valores de uma insensibilidade atroz a que me faltam as palavras para imaginar um castigo exemplar? Se me excita assistir a duas mulheres que se beijam? Não o nego, é coisa de homens, uma fantasia que herdamos de geração em geração, como tantas outras mais ou menos inconfessáveis fora do nosso grupo de amigos. Algo visceral, que se sente e que talvez só Freud possa explicar, embora pessoalmente prefira o velho e bom Schopenhauer. Não nego também que por muito que possa ter - e tão saudáveis e necessárias são as fantasias -, nunca as sobreporia ao respeito que devemos ter pelos outros, pelas suas vontades e convicções, mesmo quando o calor nos impele a que tiremos a roupa e o resto.