sábado, 20 de outubro de 2018

SANTOS EM DUODÉCIMOS

Confesso que nas últimas horas, depois de várias opiniões que tenho lido ficaria preocupado - se me desse a esse trabalho - com a mentalidade de algumas pessoas neste país. Ainda por causa do tipo que disse que obrigar as crianças a beijar os avós é violência e é errado. Nunca, ao contrário do que já li, esse senhor afirmou que era violência beijarmos os nossos avós. São duas coisas muito diferentes. "Obrigar" é algo que não faz parte do meu dia a dia, seja a respeito da educação dos filhos, como na relação com a mulher ou qualquer outra pessoa com quem lido diariamente. Não gostaria que um neto ou uma criança qualquer me dê um beijo por obrigação. Porque não, não tem o mesmo sabor! Mas isso sou eu. A educação de uma criança é feita todos os dias, mostrando-lhes o que é certo ou errado, com firmeza mas sem obrigações. Não tens de fazer isto porque eu estou a mandar, porque eu até posso estar errado. Tens de o fazer porque é o certo. Mas esta confusão que as pessoas "inadvertidamente" têm feito com as palavras de Daniel Cardoso é logo a seguir justificada com palavras como "homossexual" ou "aberração" devido à sua imagem e comportamentos . Palavras de pessoas tão melindradas com a pseudo-violência de uma opinião contrária - como se todos tivessemos de ser "obrigados" a pensar o mesmo e ao mesmo tempo preocupantes do ponto de vista da aceitação de crenças e comportamentos diversos. As mesmas pessoas para quem a homossexualidade é uma doença e não uma opção, devendo portanto de ser tratada.Duvido que as mesmas palavras tivessem um feedback semelhante se proferidas por um senhor com uma roupa e um comportamento ditos "normais" aos olhos duma sociedade ainda agarrada a muitos tabus e preconceitos. "A roupa faz o homem" ou "Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és" são ainda hoje expressões erradamente valorizadas por muitos de nós, frequentadores da igreja ao domingo mas viciados na arte de criticar o próximo nos restantes seis dias da semana. Santos em duodécimos? Não contem comigo. violência é ter uma doença grave, é ter de pôr comida na mesa dos nossos filhos e não ter como, violência é ter um filho e perdê-lo sem nunca lhe ter sentido o cheiro. Preocupem-se com coisas sérias.

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

A VOZ DAS PALAVRAS - #NOT ME


OU COMO EVA TRAMOU SCHOPENHAUER

Não sou de modas, muito menos sou o carneiro, que sem saber para onde ir se limita a seguir o rebanho. Pelo contrário, tendo a tentar compreender certas pessoas e posições que à maioria custam a "engolir". Respeito Trump e Bolsonaro, chego mesmo a tentar compreender Maria Vieira, embora continue a comer a sopa toda só para não ouvir a Maria Leal. Ao fazê-lo não assino por baixo tudo ou quase tudo que estas pessoas digam ou façam, muito pelo contrário, da mesma forma que não sou contra pessoas, partidos, clubes e religiões com os quais não me identifico ou por não serem da minha cor. Respeito, sempre e acima de tudo, sobretudo para esses alvos facilmente expostos à crítica por terem o defeito ou a virtude de dizerem tudo o que pensam, indiferentes ao politicamente correcto, à popularidade fácil das maiorias. São assim os André Venturas e os Miguéis Esteves Cardoso deste país, tantas vezes a darem voz ao que muitos pensam mas têm medo de falar. Posso discordar deles mas não lhes meto no saco dos hipócritas.

 Numa altura em que o movimento feminista #MeToo continua nas bocas do mundo e agora também na dos portugueses à conta do até à pouco intocável CR7 e de uma tal de Kathryn Mayorga, a consagrada actriz Regina Duarte vem mandar às malvas a maioria - Madonna inclusive - rejeitando o #EleNão! contra o anti-democrático, além de anti muitas outras coisas Jair Bolsonaro, afirmando que não tem de seguir correntes, antes pensar pela sua cabeça e seguir as suas próprias convicções, esteja errada ou não, independentemente do que os outros possam pensar. São assim as pessoas inteligentes, capazes de distinguir o trigo do joio, capazes de concordar com o que dizem pessoas de quem não gostamos ou de outras ideologias. Afinal ninguém nunca está totalmente certo ou totalmente errado e se um santo é capaz de pecar, até o pior dos piores é capaz de ter razão por uma vez que seja na vida. 
E é neste universo de santos e pecadores que chego a Daniel Cardoso, um quase anónimo professor da Lusófona, esta semana bastante fustigado e criticado por afirmar que é errado obrigar as crianças a beijar os avós. Tretas! A quantidade de gente que diz isso sem gerar tantos anticorpos nas redes sociais reflecte bem o que os portugueses e Portugal (Estado) se preocupam quer com as crianças como especialmente com os idosos. O problema deste senhor é ter opiniões e comportamentos que chocam e incomodam os "alegadamente" mais púdicos como defender o poliamor, ele que em 2014 assumiu manter relações amorosas com quatro companheiras em simultâneo. Amigo, puseste-te a jeito quando o mais fácil era ficares calado ou ser mais um desses "yes man", especialmente com um passado tão controverso.

Daniel com duas das suas companheiras
Há quem lhe chame de evolução de mentalidades, do erradicar da imoralidade. Eu chamo-lhe da vingança de Eva contra as suas próprias limitações postas a nu por Schopenhauer, depois de não ter conseguido que Adão comesse a maçã, depois de não conseguir ser mais que a grande mulher por trás de cada grande homem, depois de não conseguir passar do papel essa conquista virtual da igualdade de direitos entre os sexos, depois de tantos anos confinada à mãe zelosa, à dona de casa incansável e esposa dedicada e enganada ao papel de objecto sexual e meramente decorativo nos anúncios, nos filmes e até nas pistas da fórmula 1. O ataque contra os Harvey Weinstein, os Kevin Spacey, os Ronaldos da actualidade é não apenas um caso raro do recuperar de uma memória selectiva como um ataque da mediocridade sobre carreiras construídas e alicerçadas em mais que assédio ou piropos. Insisto no trigo e no joio, no espaço que não está vazio entre o branco e o preto, o certo e o errado. Dizem que uma mulher pode fazer cair um império. Pois, mas a verdade é que a toda a gente conhece Napoleão, mas...Josefina? Ah, pois é! Me too? Not me!

terça-feira, 9 de outubro de 2018

O FUNDO DO POÇO




"Perdemos completamente o sentido de ética"

Estas palavras são de Giorgio Lambri, jornalista que presenciou em final de Maio deste ano um acidente com um comboio a atropelar uma mulher na estação de Placência, Itália. A vítima escapou quase milagrosamente, não incólume, vindo a ter de ser amputada de uma perna. Uma tragédia só por si lamentável, mas que ganhou dimensões tão invulgares como dispensáveis pela presença de um homem no momento após a colisão, a tirar uma selfie enquanto fazia um gesto de vitória. Chegámos ao fundo do poço, despidos de qualquer pingo de decência pela vida humana, a personificação perfeita da desumanização do Homem, capaz de ficar indiferente - ou não - à dor do seu semelhante, capaz de ironizar com a tragédia alheia como se fosse esta uma oportunidade inesperada de juntar mais um cromo a uma colecção de horrores, um triste souvenir numa caderneta de instantâneos no instagram ou qualquer outra rede social. Tanto que discutimos e continuamos a falar em evolução, do Homem, de mentalidades,,, debalde. É em alturas como esta que reafirmo a convicção de que certamente descarrilámos em qualquer ponto do caminho, tão perdidos nos encontramos desses valores básicos, de ética, decência e moralidade, do certo e do errado, arriscando a virtude numa corda bamba virtual, perambulando na linha ténue que distingue o Homem do animal. Animal, qual quê! Antes fosse, porque nem os animais conseguem ser as bestas em que nos tornámos.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

DEUS É GAY E TEM TPM - Dissertações sobre o caos (3ªparte)


Primeiro veio o frio e a chuva que se prolongaram quase ininterruptamente desde Maio ao início de Agosto. A seguir, como já eram bastantes os ecos de uma turba alvoraçada veio o calor, um calor intenso, quase infernal de mais de 40 graus com as vozes de uns a fazerem-se ouvir enquanto os outros, os Agostinhos, corriam a encher as praias de uma gente na sua maioria desordeira e inconsciente ao descanso e direitos dos demais. Os Deuses devem estar loucos, só podem. A não ser - e aí já se justificava - que Deus fosse uma mulher, a arrumar a casa em mais uma das suas querelas pela revolução sexual contra todas as desigualdades de que foram vítimas ao longo dos anos. Uma espécie de novo jardim de Eden em que Eva surge com cara de Angela Merkl a obrigar Adão a jogos de sadomasoquismo numa espécie de "50 graus à sombra de Grey" das lides domésticas. Explica-se assim um estudo recente em que se conclui que bebemos menos leite. Pudera!, agora que se acabou a mama!
Provas? Atentem: são as campanhas contra a imagem gratuita da mulher enquanto objecto com a polémica das pitt girls a serem substituídas na Fórmula Um por crianças (será mais aceitável do ponto de vista ético?), as recentes recomendações da FIFA para que as televisões evitassem os close-ups de mulheres bonitas nas bancadas, de tal forma que só Pamela Anderson (namorada do francês Rami) e a Presidente da Croácia, na pujança dos seus 50 anos escaparam à censura. A propósito, insistem os croatas em afirmar que a primeira mulher Presidente daquele país é uma espécie de Marcelo Rebelo de Sousa, porque para ir ao Mundial tirou dias de folga descontados do seu salário, viajou em voo comercial e só depois de ter sido identificada nas bancadas foi convidada para a tribuna de honra da FIFA onde se destacou pela sua naturalidade e exuberância. Continuo sem ver onde estão as semelhanças, mas... Deus só podia definitivamente ser uma mulher bramindo a sua vassoura de Harry Potter contra as desigualdades, contra o assédio, contra uma imagem em que a inteligência e a personalidade são sempre menosprezadas em relação ao corpo. Mas quando eu julgava que a próxima demonstração da sua ira seria submeter-nos - Homens - a um longo e forçado período de castidade - e o que é a enxaqueca senão isso? -, veio de Paris uma notícia que me fez mudar de opinião. Afinal Deus é gay e tem TPM.  Portugal - sim, Portugal, este país Campeão Europeu de Futebol

, este país de homens másculos e de pelo na venta, descendentes de Dom Afonso Henriques e conterrâneos de Zezé Camarinha vai estar pela primeira vez representado nos Gay Games, uma espécie de Jogos Olímpicos LGBT. Uau!!! Preparem o espaço na vitrina das medalhas porque ou muito me engano ou vamos encher a barriga... e não só. Jogos Olímpicos para larilas a acrescentar às marchas de orgulho gays. Nunca fez tanto sentido falar de provas decididas ao centímetro. Ou muito me engano ou os africanos vão partir novamente com ligeira... ou acentuada vantagem em relação aos europeus. Mas a verdade é que falar de Jogos Olímpicos para gays faz-me confusão, quase tanta como as caixas de supermercado e os lugares de autocarro específicos para pessoas idosas, grávidas ou de crianças ao colo. Que espécie de prova têm de fazer os participantes para atestarem das suas habilitações ou preferências sexuais? Um beijo explicito? Trautear uma música do Tony Carreira? Pimba, estás convocado! Será que as medalhas obedecem ao formato original ou terão um formato inovador? E qual será o hino da competição? I Will Survive, YMCA? A comunidade gay, pela qual nutro bastante respeito e até admiração pela força com que enfrentam as adversidades de uma sociedade raramente justa e comprovadamente antiquada nestes assuntos é composta por homens e mulheres maioritariamente sérios e dignos que não precisam de montar um show burlesco para mostrar as suas opções. Demarcarem-se de actividades onde podem participar de pleno direito é o mesmo que defender a integração da comunidade cigana na nossa quando são eles que se isolam e criam muros de Berlim entre a sua cultura e as demais. O que virá a seguir? Uma marcha pelos direitos dos pedófilos? Assim vai um mundo virado do avesso, um mundo em que ficámos a saber na semana passada que o estratega do ataque às Torres Gémeas  afinal até era bom rapaz, tímido e bondoso e que foram os colegas da universidade que lhe fizeram uma lavagem ao cérebro. Esta ideia das mães atirarem a culpa de todas as asneiras dos filhos às más companhias soa-me no mínimo pouco original. Tivesse tido a oportunidade de falar com o Presidente da Venezuela e já a progenitora de Bin Laden acrescentaria que os coleguinhas de escola eram americanos e provavelmente... gays.

domingo, 5 de agosto de 2018

COMO UM JARDIM SEM FLORES - Dissertações sobre o caos (parte 2)

João tem seis anos, quase sete, é daqueles alunos que nem precisava de estudar para passar de ano de tão inteligente. Os olhos de um azul profundo em contraste com o cabelo louro num penteado a imitar o Ronaldo formam uma combinação que junto com o jeito para o futebol e a facilidade de comunicação fazem dele um daqueles casos de rara popularidade entre os que o rodeiam. Maria tem oito anos e a sua capacidade tanto para as letras como para os números deixam muito a desejar. Se der para passar não se vai esforçar para não desgastar a beleza, das horas de sono perdidas. Ao contrário do João passa despercebida quando confinada entre as quatro paredes da sala de aula, mas todo o seu magnetismo liberta-se fora dela. Gosta de ser livre, sem rédeas, sem regras nem compromissos. Por isso o João, a quem todos seguem e idolatram, o Zé, o Manel e o António deixam de raciocinar quando a Maria passa, porque a Maria tem qualquer coisa que nem Freud explica, mas que o João sem conhecimento de causa e levado apenas por um instinto hormonal adivinha.
 Milhares de anos após termos inventado o fogo para impressionar as nossas mulheres, o Homem saiu da caverna, adaptou o meio em função das suas necessidades, transformou-o - por vezes sem pensar nas consequências - mas tornou-o num lugar comodamente mais aprazível para se viver. Evoluímos, arranjámos trabalho, inventámos as classes sociais, acabámos com a escravatura, abolimos em muitos lugares a pena de morte e até deixámos que as mulheres votassem e pudessem conduzir. Aumentámos a taxa de acidentes rodoviários, as mortes na estrada, ganhámos a simpatia das seguradoras e dos agentes funerários. O pai do João tem 33 anos. Aos seus olhos, o mundo é um lugar complexo mas mais perfeito do que no tempo dos seus pais ou avós, uma máquina bem oleada onde cada parafuso é de vital importância para o bom funcionamento da sociedade. O culto da beleza que vigorava na Antiga Grécia está hoje obsoleto. Já não basta nem importa ser estético como o provaram Dali e Picasso. Já não basta ser - como à mulher de César -, importa parecer. O cavalheirismo de outrora feito de flores e poesias são agora tidos como assédio, criminosos piropos mais ou menos engraçados mas caídos em desgraça à luz duma moralidade feita de aparências. Automatizados somos cada vez mais futebol sem golos, circo sem palhaços, bolo sem açúcar, sexo sem imaginação. A emoção deu lugar à lógica e à razão, proliferam as causas humanitárias, sociais e raciais, urge sensibilizar os políticos e salvar o planeta. O pensamento, os estudos, as prioridades levaram-nos a um ponto sem retorno cada vez mais distantes da idade da inocência. Puseram uma burka na Mona Lisa. O Homem do Futuro é um Homem despido de falsas fés, um santo de pés de barro, castrado na sua virilidade e na dignidade em prole da globalização e da singularidade de género. O Homem de Amanhã é um homem despido de emoções e de malícia, Adão e Eva em quartos separados num condomínio de pedra cinzento e frio. 
Mas isso é amanhã. Hoje, por mais que digam ao pai do João que a Lua é o único satélite natural da Terra, que a poesia está fora de moda e que todas as cartas de amor são ridículas, como diria Fernando Pessoa, por mais que lá na América se acabe com os desfiles em fato de banho e a próxima Miss América possa ser  sósia da Susan Boyle, por mais que em África um Presidente diga que a boca é para comer e não para fazer sexo... peanuts, como diria o outro! O pai do João ainda continua apaixonado pela esposa ao fim de quase sete anos, fugindo da rotina em sonhos por vezes impossíveis de concretizar mas nos quais não deixa de acreditar, saboreando cada pedaço de vida sentida em prazeres lúdicos nem sempre compreendidos ou aceites pelas maiorias. Não lhe interessa a opinião dos outros, amante que é das diferenças. É feliz e isso basta-lhe, e ele sabe que por mais anos que passem, das cavernas aos arranha-céus de hoje, aos seis ou aos sessenta, continuamos a ser ainda Joões a fazer coisas sem nexo pelas Marias da vida. Porque o mundo pode ser um lugar complexo, por vezes cinzento, por vezes azul como um dia de Verão, mas sem amor, sem beleza, sem mulheres será sempre tão bonito como um jardim sem flores.

ERA UMA VEZ O HOMEM!... - dissertações sobre o caos

No princípio era tudo mais fácil,- embora Ezequiel não o soubesse - a caverna onde morava não tinha luz mas também não havia EDP, Mexia nem chineses. Naquele dia quando saiu cá para fora para ver o tempo - atitude crucial para saber se levaria a tanga de Verão ou aquela de mangas compridas para o frio, estava longe de imaginar as consequências que um acto irreflectido pode causar na vida das pessoas e na História da Humanidade. Estava de chuva, como em toda a semana e na semana anterior, como se cada nascer do dia fosse uma repetição exacta do dia que havia passado. O mesmo grupo de amigos, as mesmas anedotas porcas sobre caça e pesca e mais um torneio para ver quem urinava mais longe. Um dia, esperava Ezequiel, haveriam de inventar concursos mais interessantes. Foi no meio deste solilóquio que a viu, estranha e bizarra criatura de crina longa e com protuberâncias mais salientes que o calo que tinha no pé esquerdo, fruto de uma quezília com um t-rex anão, que lhe valera para lá de quarenta dias de baixa. Foi a primeira vez que viu Maria Jaquina, sobrinha-neta de Eva, primeira fêmea de seu padrinho Adão. No mesmo instante que a viu arrependeu-se de ter inventado a roupa e dois minutos depois de ter decidido virar gay porque lhe tinham dito que ficava bem a quem gostava de arranjar os seus trapinhos de pele de leão - imitação, por razões óbvias - e de veado uma atitude mais arrojada. Não que esse detalhe tivesse muita importância, não fosse o facto de ter arrancado a si mesmo o outro detalhe - pormaior - já que a roupa era ainda apertada, por escassa e estava longe de ser suave ou sedosa, dificultando-lhe as erecções. Nessa época ainda não tinham inventado a braguilha. Nos anos seguintes Ezequiel dedicou a sua vida à confecção de roupa feminina, à tentativa de criação de implantes masculinos, a lutas desiguais contra animais selvagens e todo o tipo de façanhas heróicas, estúpidas e inconsequentes no sentido de chamar para si a atenção daquele estranho animal. Inventou o fogo, queimou-se, tirou o curso de sexo oral e inventou a roda. Morreria atropelado pela sua própria invenção numa tarde chuvosa de Setembro, solteiro e virgem - isto se esquecermos aquela brincadeira com o cão, já numa fase de desespero. 

É uma praia portuguesa concerteza...

Agostinhos: ainda agora chegaram e já estou farto deles.