sexta-feira, 14 de junho de 2019

POR QUE NO TE CALLAS?

"Se não querem que vos baixem as alças não sejam modelos! Juntem-se a um convento de freiras."

Karl Lagerfeld, sobre o assédio séxual

sexta-feira, 31 de maio de 2019

A VERDADE TEM ARGUMENTOS FORTES

A verdade é quase sempre irracional, despida de lógica, dispensando evidências por mais fortes que sejam. Não é comprovada ou irrefutável tampouco por quaisquer provas dos nove. Muito menos é irrevogável. A sua razão dispersa-se por caminhos nem sempre claros, divide-se em ângulos e dispares perspectivas independentemente de raças ou classes sociais,  sem que perca intensidade, antes pelo contrário. A verdade deixa marcas. E que marcas! Obedece a tamanhos e quantidades daqueles que com mais ou menos idoneidade e racionalidade mas quase sempre com inusitada veemência a proferem. Nestes casos dispensam-se automaticamente todas e quaisquer formalidades, etiquetas ou civismo e os sábios mesmo conscientes de evidentes desvarios tomam-nas como certas, fazendo tábua rasa do saber apreendido aceitando mesmo que seja preto o cavalo branco de Napoleão.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

A VOZ DAS PALAVRAS

O FEMINISMO (S) EM SALTOS ALTOS
Ou a diferença entre putas e santas 

Andava há uns tempos para falar de Joana Bento Rodrigues, a quem, concorde-se ou não com a frontalidade quiçá ingenuidade das suas convicções, apetece tirar-lhe o chapéu, mais que não seja por uma exposição mediática a que poderia facilmente ter fugido. Não foi o caso. Joana, médica ortopedista de profissão, tem 37 anos, sabe portanto o que é ser uma mulher activa em Portugal, numa perspectiva profissional e emocional. Defende que uma mulher pode sentir-se realizada enquanto cumpre as suas tarefas domésticas e que a maioria das mulheres não se incomodam se ganharem menos que os seus companheiros do chamado sexo forte, porque se sentem protegidas e seguras. Diz mesmo que grande parte das mulheres não trabalhariam se não precisassem. Acrescenta ainda que muitas concordam consigo e que só por medo da "ditadura social do politicamente correcto" se remetem ao silêncio. Define-se como anti-feminista no sentido deturpado que tem sido dado à palavra. Ser feminista não é o contrário de ser machista, não é lutar por falsas questões como a lei da paridade como se a igualdade de género em cargos políticos ou outras nomeações fossem mais importantes que o simples merecimento ou capacidade, independentemente do facto de ser homem ou mulher. 
Durante o último campeonato do Mundo de futebol a Fifa deu instruções às cadeias de televisão internacionais para evitarem as já habituais imagens de mulheres bonitas nas bancadas, como uma forma de luta contra um sexismo cada vez mais enraízado na sociedade. Sinais dos tempos. Lia-se no texto que "focar nas raparigas que podem ser consideradas atraentes - e as feias, pode? - é trazer uma carga sexista desnecessária ao futebol". Deixemos-nos de ser mais papistas que o Papa. Pergunto-me: se a beleza é um conceito abstracto e está nos olhos de cada um qual será o critério a utilizar pelas diferentes operadoras face a toda esta hipocrisia e falsos moralismos de uma sociedade em que os telhados de vidro crescem como cogumelos em cada esquina? A solução para acabar de vez com uma imagem nem sempre dignificante para a Mulher não é fingir que não existem mulheres bonitas, especialmente depois de passarem horas a aperaltarem-se por um momento de uma fama ilusória mas mesmo assim captada para a imortalidade. Não são os movimentos Me Too em que as mulheres surgem como falsas virgens ofendidas que vão granjear o respeito que devem e merecem ter. A atitude, o feminismo, a personalidade, não são roupas que se vestem, não aumentam ou diminuem consoante a quantidade de batom, a escolha de uns ténis ou de um sapato de salto alto. Vamos desmistificar de vez a ideia de que uma mulher atraente não pode ser inteligente e que uma mini-saia ou um decote mais ousado e atrevido são meros embustes para "caçar" bons partidos ou conseguir uma promoção. Só se preocupa com pormenores deste calibre quem não tem argumentos para se destacar, nem intelectuais, muito menos físicos e a isso eu chamo simplesmente... despeito. 
Dizem que à mulher de César não basta ser séria, tem de o parecer. Talvez por isso a carreira política de Gabriela Ventura, ex-gestora do Proder nunca tivesse tido pernas para andar, a carreira não a senhora, cujas pernas nunca deixaram ninguém indiferente, como se ter bons predicados físicos equivalesse a um atestado de incompetência. Não fossem mentalidades tacanhas e desconfiadas e não estaríamos a comentar a lei da paridade. Aliás, por falar em tacanhos também os enfadonhos e cinzentos britânicos fizeram aprovar recentemente uma lei que bane os estereótipos de género na publicidade, tentando evitar que todos os homens pareçam líderes, agressivos ou desmiolados nas lides domésticas e as mulheres sejam vistas como objectos sexuais ou criaturas fúteis. Não foi sempre assim? Deixará de o ser um dia, por mais leis que se façam? Mas aos ingleses já ninguém passa cartão. Sempre foram protestantes e indecisos, vide Brexit. À supressão das grid girls na fórmula 1, Lewis Hamilton respondeu com um elogio: "As mulheres são o que de mais belo há no Mundo", palavras de um campeão que merecem da minha parte total concordância, se exceptuarmos, claro,  o caso das feias e desdentadas que vivem para lá de Trás Os Montes.

sexta-feira, 8 de março de 2019

DOS HOMENS SEM H ÀS MULHERES SEM CABEÇA


Depois não digam que não sabem porquê! Que são alvos de uma violência gratuita. Qual gratuita qual quê! Devem gostar de apanhar é o que é! Direitos? Conhecem aquela frase dos policiais dos filmes americanos? Adapta-se à situação. "Tens mas é o direito a ficar calada. Tudo e qualquer coisa que digas pode e vai ser usado contra ti!" Já a pulga tem catarro é o que é! Não esteja o almoço na mesa a horas e eu mostro-te o que é greve.

segunda-feira, 4 de março de 2019

NÃO GOSTAR DE CARNAVAL (NÃO) É FIXE

Não gosto de Carnaval, não particularmente. Opinião que, não obstante toda a fama que o acompanha de evento que arrasta multidões, é inerente a uma grande parte das pessoas que conheço ou ouço. Parece-me consensual que a maioria acredita que fica bem na imagem ser anti-populista, criticar o que faz mexer com emoções ditas primitivas tão do agrado do povo. Não gostar de Carnaval é fixe. É fixe não gostar de futebol, de filmes lamechas e músicas comerciais. O pior é que, ao contrário dos outros que ouço e leio, não me orgulho, não acho piada nenhuma a não gostar de Carnaval. E mesmo apreciador de toda a beleza dos desfiles no Sambódromo, da beleza e da festa dos sentidos, da cor e do ritmo, do fino bom gosto do Carnaval de Veneza e da alegria genuína das crianças, da fantasia sem rédeas, continuo, por feitio ou falta daquela pequena dose de loucura que separa o actor do figurante, a ver passar a vida pelo lado errado da janela, como uma peça estranha num puzzle onde não se encaixa.

sábado, 2 de março de 2019

AS PALAVRAS QUE NUNCA TE DIREI (CONAN OSIRIS)

A GENIALIDADE DA LOUCURA

... E TODA A SAUDÁVEL MEDIOCRIDADE QUE HÁ NO MEIO


 (ou como em tons de branco e preto ainda é bom ser gray... ou cinzento)

A poucas horas da final do Festival da Canção, confesso que mal ouvi as músicas concorrentes, excepção feita aos tão badalados Telemóveis, uma espécie de vencedor antecipado do certame deste ano. Não que tenha perdido grande coisa, segundo ouvi dizer. Uma mediocridade generalizada a envergonhar um país que viu nascer grandes intérpretes como Simone de Oliveira, José Cid, Dulce Pontes ou Rita Guerra e excelentes compositores como Ary dos Santos, mesmo que invariavelmente não conseguissem os resultados desejados. Outros tempos. Não estranhei por isso que um qualquer Conan conseguisse sobressair, independentemente da qualidade ou falta dela, mas essencialmente pelo visual, e personalidade de tão peculiar intérprete, sendo tudo isso tema bastante discutido das conversas de café aos blogues desde há duas semanas atrás. Será Conan um génio incompreendido?, pensei,  ou um produto pimba, representativo de música fácil, sem critério, cuidado ou identidade, ao estilo de "hoje em dia toda a gente canta"?
Ao procurar conhecer-te um pouco mais deparei-me logo com uma declaração tua que dizia "Posso ser maluco, mas não estou sozinho". Nada mais verdadeira essa consciência, duma qualidade que eu até acho louvável de ser louco, de ser diferente numa sociedade demasiado formatada, que tende a discriminar tudo e todos que são diferentes, que não obedecem a certos conceitos cujos prazos de validade estão expirados há muito, os desajustados. Mereces logo por isso o meu respeito.Tu, a Abelha Maia, o Calimero e o Capitão América, mas a tua música de certa forma marginal, rompendo com a considerada normalidade não me impressiona, confesso. Estranha-se sem se entranhar. Como uma dose de ecstasy que nos faz delirar por umas horas, mas que não é real. E nessa realidade o teu espaço na prateleira dos predestinados é o lugar das promoções, só até final da semana. Nunca serás António Variações. Até podes perfeitamente ganhar, e chegando a Israel repetir o feito dessa Netta israelita e do seu também controverso e muito similar Toy, mas nunca passarás duma personagem efémera que num determinado espaço temporal teve os seus 15 minutos de fama, ao contrário do teu homónimo do cinema e da banda desenhada. Talvez seja eu que não saiba nada de arte, deste talento raro e único que me deixa boquiaberto à laia de quem olha para um quadro de Dali sem o compreender, sem distinguir a diferença para um qualquer desenho feito por uma criança de dois anos com síndrome de Down. Na verdade, não lido muito à vontade com os génios e os loucos, eu, que nunca "engoli" Almodovar nem Tarantino, Saramago ou João César Monteiro - nem eles a mim, admito. Simplesmente falta-me o ouvido musical, a sensibilidade para a arte ou apenas pachorra para dizer que gosto só porque me faz parecer elitista ou intelectual. Talvez por isso goste tanto da mediocridade dos anónimos, dos vulgares mas talentosos que até tocam ou escrevem umas coisitas, de quem não precisa de provocar, de usar de estratagemas, distrações para aparecer na televisão a dizer umas coisas sem nexo nem interesse só para parecer inteligente, um rebelde sem causa nenhuma, perdido em parte incerta. Talvez por isso, num universo de posições extremas e radicalistas, entre anjos e pecadores, certos ou errados, entre o branco e o preto prefira ser cinzento, prefira ser gray, mesmo entre as sombras.